"REFÚGIOS"

Meus dias em Cabuyal Parte 4

Meus dias em Cabuyal Parte 4

aqui vai a quarta e última parte da viagem à Costa Rica. (a primeira parte está aquia segunda aqui e a terceira aqui!)

DIA 03

D
ia de patrulha pela manhã. No final da caminhada, fomos fazer escavação num ninho pois, no dia anterior, passamos por ele e suspeitamos que pudesse ter ovos. Abrimos o buraco e havia uma tartaruguinha. Era uma Tataruga-de-Kemp (lá eles a chamavam de Lora). Já havia perdido as esperanças de ver uma viva. Ela estava imóvel, como outras que vi. Mas nossa instrutora olhou bem e disse: “Ela está viva, sim! Só está dormindo!” (sim, elas dormem no ninho até o momento em que estão prontas para sair) <3

Escavação no ninho

Escavação no ninho

Aos poucos ela foi se movimentando. Estava bem sonolenta, mesmo. Abria pouco os olhos, as nadadeiras estavam encolhidas. Pouco a pouco ela foi se mexendo. Andava lentamente em círculos, parava, se virava…parecia que ainda não estava entendendo o que acontecia. Com o tempo, ela foi despertando e caminhando em direção a água. Como disse anteriormente, as tartarugas tem um senso de direção que impressiona.
Fiz um vídeo até o momento em que a onda a leva embora. Confesso que tinha vontade de não deixar ela ir embora. Só de pensar os perigos que ela vai enfrentar e que, se tudo correr bem e ela for fêmea, só retornará a Cabuyal daqui 30 anos, dá um aperto no coração. Melhor pensar que tudo vai correr bem! Deixa a natureza agir. 🙂
Foi o momento mais lindo da viagem. Sensação de esperança depois de tantas exumações.

Eles entram na água e nadam sem parar, sempre reto. Tem a proteína na barriga que servirá de alimento durante dias, até encontrar um local seguro para se desenvolver. Os biólogos tem estudado muito para saber onde vivem os filhotes até chega a um ano de idade. Nunca são localizados. Já acoplaram chip e, mesmo assim, ainda não tiveram sucesso. Seu destino é um mistério.
E aqui, algumas fotos dessa manhã que já começou bem!
(Tartaruguinha, Pelicano e Periquito)

Voltamos. Em casa, novas surpresas no quintal: uma iguana, um lagarto (chamam de Garrobo negro e, segundo pesquisei, se trata da maior espécie do gênero) e minha ave favorita: a Calocitta formosa (MagPie Jay, em inglês).

costarica77

Pegadas de Jaguar

À tarde, fomos a uma pequena praia chamada Zapotillal, ao lado de Cabuyal. É uma praia linda mas, para chegar é uma verdadeira aventura selvagem!
É uma hora de caminhada até chegar nela.
Primeiro, entramos num lamaçal onde o pé ficava totalmente atolado. O desafio seguinte foi passar por um mangue com MUITOS caranguejos passando pelos nossos pés. Passada essa fase, entramos num terreno mais seco, pouca vegetação no meio e o solo com pegadas de uma espécie de crocodilo/lagarto que, segundo disseram, se morde seu braço, já era! Não consegui entender bem que animal era, mas deve ser algo parecido com o dragão de comodo. Logo em seguida, passamos por pegadas de onça pintada (ou jaguar) que mediam fácil mais de 10cm de comprimento. Depois disso, a paisagem mudou novamente. Uma trilha com vegetação mais fechada, poucas árvores. Chegamos a um rio muito bonito, onde crocodilos costumam nada. Mais a frente, uma praia onde esse rio desenboca, mas que não temos acesso, pois ela está toda cercada de pedras. Neste trecho encontramos o esqueleto de uma serpente. O caminho no trecho desta praia é bem difícil, pois só há uma passagem estreita com pedregulhos escorregadios e um barranco bem ao nosso lado. Ou seja: caiu, sai rolando lá pra baixo.

(Nas fotos: pegadas do jaguar, esqueleto de serpente, rio que desenboca no mar das duas fotos seguintes) 

Parecia mais um videogame com várias fases e, cada uma com um novo desafio. Passamos por um novo caminho com vegetação, subidas, descidas, teia de aranha gigante e, finalmente, a belíssima Playa Zapotillal.

Fotos, fotos e fotos – notem na segunda e terceira foto marcas de tartaruga marinha que também desovam nesta praia)

costarica86

Marcas/Pegadas de Crocodilo

É claro que as surpresas não acabariam aí. No riozinho, próximo a praia, ouvimos barulho da água batendo. Era um crocodilo que fugiu ao nos ver. Eu não o vi, mas ele me viu. Não é lá muita vantagem. rs…

 

 

 

Muitos pássaros pescando, pegadas de tartaruga marinha (ao lado da de crocodilo). O.o

Aqui um vídeo de Zapotillal. Chora!

Ficamos por lá um tempo e voltamos antes das 5. Na volta, finalmente vi aqueles macacos, que comentei nos posts anteriores, que parecem bugio e fazem muito barulho de manhã.

É minha noite de descanso e amanhã tenho patrulha de manhã e a noite. Já tenho 9 calos nos pés e mais de 120 picadas de inseto. O.o

DIA 04: Minha última patrulha da manhã. Desde o dia anterior a maré subiu bastante e isso faz com que as tartarugas não saiam para desovar, já que elas preferem a areia mais sequinha. Não havia nada.

À noite, também fiz minha última patrulha. A maré continua alta, mesmo assim, tive sorte. A espécie que eu ainda não tinha conhecido: a Tartaruga-de-Kemp ou Tortuga Lora. É uma espécie bem menor, tem o casco mais arredondado, mas essa até que era grande. Tinha uns 70cm de comprimento. Quando chegamos, ela já  estava desovando, então só pudemos passar o Scanner, colocar a tag e medí-la. Ela é bem mais rápida que a Tartaruga Negra. Dizem que ela é até meio “relaxada”, não perde muito tempo procurando lugar, cavando, cobrindo. A gente tem que dar um “mãozinha” pra ela cobrir melhor seu ninho para esconder dos inimigos.

Até tentei fotografar quando o biólogo a acompanhou até a água, mas saiu isso! hahahaha

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Não apareceu mais nenhuma. Na última caminhada, eu arreguei. Minhas bolhas no pé estavam incomodando demais e tive que parar antes. Não queria, mas não teve jeito.  🙁

DIA 05: Minha despedida de Cabuya. Vou guardar essa experiência para sempre. As tartarugas, o lugar, as pessoas…tudo contribuiu para tornar esse momento mágico.

Fui para um Hotel no centro de Libéria. Voltei ao mesmo restaurante que já tinha comido o Ceviche. Agora fui da especialidade da casa: mariscada.
Sem palavras! <3

 

Depois disso, eu capotei! Dia seguinte de manhã, fui pro Aeroporto e, pra minha despedida, na porto de entrada, lá estava o Yiguirro, a ave símbolo da Costa Rica. <3

costarica98

Valeu cada dia que estive
por lá. Como dizem os Costa-riquenhos, isso é mesmo Pura Vida!

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