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Império Matarazzo

Império Matarazzo
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ão dá para contar toda a história dos Matarazzo em apenas um post mas, num breve resumo, eu diria que sua história está totalmente ligada ao crescimento industrial do país.

tn_311_600_imperio_matarazzo_4_291011Tudo começou em 1881, quando Francesco Antonio Maria Matarazzo embarcou para o Brasil, como tantos outros, na tentativa de melhores condições de vida. Ele trazia pouco dinheiro, alguns queijos, vinhos e alguns tonéis de banha de porco.
Acontece que o barco que transportava seus produtos afundou e ele perdeu tudo. Foi obrigado a mudar seus planos.
Decidiu partir para Sorocaba, onde tinha um amigo, e começou seu trabalho como mascate. Seu comércio foi crescendo, crescendo. Tornou-se empresário. Aliás, um dos mais ricos do país. Seu objetivo sempre foi trabalhar com um produto, desde sua origem até o consumidor final.

Fez de tudo: moinho de trigo, tecelagem, metalúrgica, moinho de sal, refinaria de açúcar, fábrica de óleo e gordura, frigorífico, fabrica de velas, sabonete, sabão, centros fabris, fábrica de fósforos e pregos, de louças e azulejos, usina de cal, destilaria de álcool, fabrica de papel, destilaria de petróleo. Além das indústrias, Matarazzo ainda tinha banco, frota de navios, terminal no porto de Santos, além de vários imóveis e a mansão na avenida Paulista.

Na Primeira Guerra Mundial, enviou mantimentos à Itália, o que lhe deu o título de Conde, dado pelo rei Vitorio Emmanuele III. Era admirador de Musolini e chegou a contribuir financeiramente com o facismo. A classe média urbana não o via com bons olhos. Segundo minha mãe, circulava uma piada sobre a sigla de uma de suas indústrias: IRFM, que significava Indústrias Reunidas Francesco Matarazzo, mas que o povo brincava que era Indo Roubando Ficou Milionário.

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Edifício em construção

Foi com essa admiração a Mussolini que contratou o denominado “arquiteto de Mussolini”, Marcello Piacentini, para projetar o Edifício Matarazzo, também conhecido Palácio do Anhangabaú, ao pé do Viaduto do Chá, onde seria a sede administrativa dos negócios da família.
De estilo neoclássico simplificado, largamente utilizado na Itália nos anos 30, o prédio utiliza de várias simbologias do império Romano, também adotada no regime facista. Cheia de relevos e detalhes, como o MMM no quinto andar (onde antes era a sala do Conde e hoje fica o gabinete do prefeito), representando os 3 patriarcas da família (Francesco, Ermelindo e Francisco). A fachada tem 5 colunas, cada uma com um relevo que simboliza os ramos de atividade da família: tecelagem, metalúrgica, agricultura, manufatura química e comércio.

O Hall monumental da entrada é imponente por seu pé direito ENORME, sua verticalidade e suas colunas todas revestidas em mármore travertino romano. Aliás, é um total de 170.ooo placas de mármore em todo o prédio. Até onde sei, só há duas construções no mundo revestidas INTEIRAMENTE com ele: o Edifício Matarazzo e a Basílica de São Pedro. (alguém me corrija se estiver errada, plis!) Ah, não bastando isso, o piso é de granito, tsá?
Logo na recepção, há duas colunas com um relevo que representa a “Epopéia do trabalho humano”. Ao fundo, há um mosaico com o mapa do Brasil e todos os lugares onde a família Matarazzo tinha negócios (Brasil todo!). Esse mosaico veio de Veneza e, por conta da guerra, só chegou 6 anos depois da inauguração do Edifício. Pode parecer piada, mas no mapa, Brasília foi colocada depois e está pintada toscamente sobre o mosaico.
Fora isso, as portas são em jacarandá e diversos outros detalhes de um riqueza sem proporções. Isso porque não podemos acessar o quinto andar, onde é ainda mais luxuoso. Vale lembrar que o andar que conhecemos, no mesmo nível do Viaduto do Chá é, na verdade, o terceiro andar, já que o prédio começa lá embaixo, no Vale do Anhangabaú. Aqui embaixo, o vídeo que é apresentado aos visitantes, mostra um pouco mais do edifício.

Mas a grande beleza desse prédio está mesmo no décimo quarto andar. No topo do prédio há o Jardim Walter Galera. Tem esse nome em homenagem ao zelador do prédio que idealizou esse pequeno bosque com mais de 400 espécies do Brasil e de outros países, todas catalogadas. Há caqueiros, goiabeiras, mangueiras, coqueiros, pés de café, cana-de-açúcar, pau-brasil, ervas medicinais. Há também um lago com carpas. Galera morou lá desde a época dos Matarazzo até seu falecimento, em 95, quando já era de propriedade do Banco Banespa.

 

Jardim Walter Galera

Jardim Walter Galera

Há caqueiros, goiabeiras, mangueiras, coqueiros, cana-de-açúcar, pés de café, pau-brasil, ervas medicinais. Há também um lago com carpas. Galera morou lá desde a época dos Matarazzo até seu falecimento, em 95, quando já era de propriedade do Banco Banespa.


 

No final dos anos 60, a família Matarazo já entrava em declínio. Em 72, o prédio foi vendido ao Grupo Audi e, até 2003, ao Banco do Estado de São Paulo. Devido a negociação de dívidas, o edifício foi cedido a prefeitura.

O Edifício pode ser visitado mediante agendamento pelo email: visitaedificiomatarazzo@spturis.com
Aliás, a procura está grande, o agendamento deve ser feito com bastante antecedência.  😉

 

Edifício Matarazzo
Endereço: Viaduto do Chá, 15
Anhangabaú – Centro

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