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Campos Elíseos – Parte 1

Campos Elíseos – Parte 1
Um dos bairros mais encantadores de São Paulo. Injustamente rotulado como “cracolândia”, mas o bairro vai muito além dessa região. É um dos poucos que conseguiu conservar a história da cidade, graças ao tombamento de seus imóveis, há muitos anos atrás. Não tivemos a mesma sorte na região da Avenida Paulista, por exemplo.

O bairro nasceu quando o alemão Victor Northman e o suíço Fernando Glete compraram e lotearam o bairro. Para valorizar a região, contrataram um arquiteto para urbanizá-la. É um dos primeiros bairros planejados e com sistema de água encanada nas casas, já abastecidas pelo Cantareira. Foi o primeiro bairro nobre da cidade. A maior parte dos barões do café moravam em Campos Elísios e não na região da Paulista como muitos pensam.

Como o bairro ainda preserva muito da história, vou fazer um resumo de alguns imóveis por onde passei. Muitos tem importância tão grande que merecem um post somente falando sobre cada um.

Residência Dino Bueno
Foi  aqui o ponto de partida para o passeio. Fiz uma viagem no tempo ao tomar café da manhã na sala principal do governador e senador Dino Bueno, que também foi um barão do café.
Construída entre 1896 e 1899 por arquiteto desconhecido. Serviu como residência de Dino Bueno até falecer, em 1933. Em 1985 foi tombada, adquirida e restaurada pela Porto Seguro e hoje funciona como administração da empresa.

Residência Alfredo Prates
Projetada em 1896 por um arquiteto belga. Diferentemente de outros casarões do bairro, este pertencia a um empresário português, que nada tinha relação com o café. Alfredo Prates tinha uma fábrica de calçados, que ficava exatamente ao lado direito do casarão da foto. Depois de muito tempo degradada devido a invasões/ocupações, hoje ela está restaurada e com sua cor original de 1896 resgatada.

Residência Coronel Juliano Martins de Almeida
Projetada em 1914 para o Coronel Juliano Almeida. Ele morava e mantinha um haras. Seus cavalos eram utilizados em corridas e também era comercializados na rua do Hipódromo, na Mooca. Este imóvel, situado na rua Guaianazes, permaneceu em sua família até os anos 40. Passou por outros proprietários e também sofreu deteriorização. Hoje encontra-se totalmente restaurada.

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Residência de Otaviano
Alves de Lima

Construída no início do século 20, pertenceu a uma das mais importantes família de cafeicultores paulistas. Otaviano Alves de Lima além de cafeicultor era empresário e fundador da Folha da Manhã (hoje Folha de São Paulo). Pouco se sabe sobre os atuais proprietários. Apesar de não estar abandonada, sua conservação é razoável, perto de outros imóveis restaurados. Não se sabe como está seu estado por dentro. Apesar da pouca conservação, é um belo casarão, com escadarias de mármore e imponente gradil.

Residência Waldomiro Pinto Alves
Propriedade de um grande fazendeiro, mas não tão grande quanto duas mulheres que se tornaram figuras importantes na revolução de 32. Enquanto a maioria das famílias fugiram para suas fazendas no interior, dona Nicota Pinto Alves (esposa de Waldomiro), uma mulher muito valente, resolveu ficar e cuidar dos feridos da região, tornando-se enfermeira voluntária da guerra. Seu papel foi tão importante que seu corpo é um dos sepultados no obelisco, do Ibirapuera.
Outra personalidade importante que viveu nesta casa foi outra mulher, a Maria Soldado. Ela era governanta desta residência na época. Quando iniciou a revolução, ela retornou a Limeira, sua cidade natal. Um mês depois, ela voltou a residência com vários soldados negros. Ela, SIMPLESMENTE, foi até sua cidade treinar amigos para serem soldados e lutar na revolução. Esses combatentes ficaram conhecidos como a LEGIÃO NEGRA. Ela também ficou conhecida por se vestir de soldado homem (já que não tinham soldadas mulheres) para combater nas frentes de batalha.
Apesar de pouco conhecida, ela se tornou heroína do Brasil e seu corpo também está sepultado no Obelisco.

Casa de Solidariedade
Há alguns casos de famílias que não há herdeiros ou as gerações seguintes, simplesmente, abandonam o imóvel e sua história acaba se perdendo no tempo. É o caso deste imóvel em estilo Chalé Europeu.
Hoje ela pertence ao Estado e trabalha com projetos sociais para atender crianças e adolescentes em situação de risco social. É o Fundo Social de Solidariedade do Estado de São Paulo

Residência Pacheco Chaves
O mais luxuoso palacete do bairro, certamente é este que pertenceu a Elias Pacheco Chaves, o mais rico dos Barões do Café. Projetado pelo alemão Mateus Haüssle e concluído por Ramos de Azevedo, ele foi construído em 1899. Em 1912, o governo adquiriu o imóvel e de 1935 a 1965 se tornou a Sede do Governo do Estado, que eram chamados de “Presidente de São Paulo”, tendo ali vivido figuras como Julio Prestes, Jânio Quadros, Carvalho Pinto e Adhemar de Barros que, então, decidiu transferir-se para o Palácio dos Bandeirantes, no Morumbi. Hoje em dia o Palácio está fechado.

 

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