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Campos Elíseos – Parte 2

Campos Elíseos – Parte 2
S
egue aqui, a continuação do post sobre o bairro Campos Elíseos. A primeira parte se concentrou, basicamente, nos casarões da rua Guaianazes e Rio Branco. Agora seguimos para outras ruas formadas não só por residências.

champ38Colégio Azevedo Soares
Construído em 1881, abrigou a Escola Azevedo Soares, hoje extinta. O interessante dessa escola é que ela começou em 1880 na cidade de Petrópolis, no Rio de Janeiro, passando por Amparo até 1885, Liberdade, Brás e, finalmente, para os Campos Elíseos. O prédio é tombado e está fechado. Dizem que a parte interna será demolida e reformada para ser uma unidade do Hospital Pérola Byington.

 

 

Santuário do Sagrado Coração de Jesus
Trata-se de uma das igrejas mais luxuosas da cidade. Foi construída no final do século XIX com a ajuda das famílias ricas moradoras do bairro e figuras como Dona Veridiana Prado e o Conde Prates. Com 62 metros de altura, até 1922, sua torre era um dos três pontos mais altos da cidade. Há nela também afrescos de um artista de florença que pediu a igreja para manter seu nome no anonimato.
A Revolução de 24 não perdoou nem a igreja. Devido aos intensos tiroteios, o gradil de ferro da igreja guarda até hoje três marcas de tiro.

 

 

Casa da Ferrovia
Construído em 1922 para atender aos funcionários da Ferrovia, com serviços de assistência médica. Localizado na Alameda Cleveland, quase ao lado da Estação Julio Preste, atualmente este prédio pertence a Prefeitura e funciona lá o SAE DST/AIDS Campos Elíseos. Trata-se de uma Unidade de Saúde gratuito para doenças sexualmente transmissíveis que, aliás, é um Centro de referência mundial no tratamento de AIDS.

 

 

Estação Julio Prestes
Projetada em 1926 e concluída somente em 1938, foi inspirada nas estações norte-americanas Grand Central e Pennsylvania. Com 2500 metros quadrados de área total, é uma estação de luxo que, desde 1999, abriga a sala São Paulo.
A estação faz parte da Linha 8 – Diamante da CPTM. Veja que belo video com raras imagens da Julio Prestes e arredores, antes da inauguração da Sala São Paulo, em 1998.

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Museu da Energia
Projetada por Ramos de Azevedo em 1926, um dos mais belos palacete, onde morou Henrique Santos Dumont, o bróder mais velho do aviador, considerado na época, um dos homens mais ricos do Brasil. Aliás, eles também descendem de família cafeeria.
Construída entre 1890 e 1894.
Durante alguns anos, também sofreu deterioração e, em 2005, foi cedido a Secretaria do Estado da Cultura, sendo restaurado e abrigando o Museu da Energia. É um museu lúdico, com algumas experiências interativas que mostra toda a história da energia na cidade. Vale a visita, principalmente, pela beleza do casarão. A entrada é gratuita. Mais informações aqui.

 

 

Palacete Barão do Rio Branco
Infelizmente, nem todos os palacetes e casarões tem um final feliz. Este, por exemplo, é o imóvel mais antigos do bairro e se encontra em total ruína devido a problemas de documentação e descaso dos órgãos públicos. Construído em 1880 para servir como residência a Antônio Ribeiro da Silva, o Barão do Rio Pardo. A casa foi vendida em 1906, quando o barão faleceu, para outro cafeicultor, o Conde de Serra Negra. Chegou a ser uma escola para meninos e um quartel general do 4º Batalhão de Caçadores e residência para um advogado. Depois de alguns anos abandonado, foi invadido e teve sofreu mais ainda com deterioração, tendo louças de banheiro, espelhos, madeiras nobres e gradis de ferro retirados e vendidos. Apesar de tombado, encontra-se abandonado e com cordões de isolamentos na calçada, com grande risco de desabamento.

Curiosidade
Alguns poucos prédios e casas de São Paulo ainda exibem orgulhosamente essa lembrança: a placa comemorativa da Associação das Emissoras de São Paulo feita em homenagem a Revolução de 32, no ano de 1957. Por acaso, encontrei uma na esquina da Alameda Ribeiro da Silva com Alameda Dino Bueno. 😀

 

É isso, gente! Espero que tenham gostado! Sei que é bastante longo, porém tentei resumir ao máximo.
Este passeio eu fiz a convite da Porto Seguros que tem feito um trabalho extraordinário no bairro. A Porto comprou, restaurou, revitalizou muitos imóveis e tem mudado muito a aparência e segurança da região.
Poréeeemmm…há um outro lado que não devemos esquecer. Conversei com uma pessoa que faz um trabalho social na cracolândia. Segunda ela, os moradores de ruas e os usuários de drogas foram retirados desses imóveis adquiridos pela Porto e “jogados” na rua, sem qualquer auxílio. Há um prédio público em frente a estação Julio Prestes que está há anos em projeto para ser uma clínica de tratamento para usuários, mas até agora nada está sendo feito. Somente a polícia faz segurança deste prédio 24 horas por dia para evitar invasões.
Se você tiver um esclarecimento ou solução para esse impasse, deixe aqui nos comentários.

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