"REFÚGIOS"

Meus dias em Cabuyal Parte 4

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Meus dias em Cabuyal Parte 3

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Meus dias em Cabuyal Parte 2

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Meus dias em Cabuyal Parte 1

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"EN CANTOS""ENTRE NÓS"

Império Matarazzo

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Razões para Acreditar, sim!

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Meus dias em Cabuyal Parte 4

Meus dias em Cabuyal Parte 4
aqui vai a quarta e última parte da viagem à Costa Rica. (a primeira parte está aquia segunda aqui e a terceira aqui!) DIA 03
D
ia de patrulha pela manhã. No final da caminhada, fomos fazer escavação num ninho pois, no dia anterior, passamos por ele e suspeitamos que pudesse ter ovos. Abrimos o buraco e havia uma tartaruguinha. Era uma Tataruga-de-Kemp (lá eles a chamavam de Lora). Já havia perdido as esperanças de ver uma viva. Ela estava imóvel, como outras que vi. Mas nossa instrutora olhou bem e disse: "Ela está viva, sim! Só está dormindo!" (sim, elas dormem no ninho até o momento em que estão prontas para sair) <3
Escavação no ninho

Escavação no ninho

Aos poucos ela foi se movimentando. Estava bem sonolenta, mesmo. Abria pouco os olhos, as nadadeiras estavam encolhidas. Pouco a pouco ela foi se mexendo. Andava lentamente em círculos, parava, se virava...parecia que ainda não estava entendendo o que acontecia. Com o tempo, ela foi despertando e caminhando em direção a água. Como disse anteriormente, as tartarugas tem um senso de direção que impressiona. Fiz um vídeo até o momento em que a onda a leva embora. Confesso que tinha vontade de não deixar ela ir embora. Só de pensar os perigos que ela vai enfrentar e que, se tudo correr bem e ela for fêmea, só retornará a Cabuyal daqui 30 anos, dá um aperto no coração. Melhor pensar que tudo vai correr bem! Deixa a natureza agir. :) Foi o momento mais lindo da viagem. Sensação de esperança depois de tantas exumações. Eles entram na água e nadam sem parar, sempre reto. Tem a proteína na barriga que servirá de alimento durante dias, até encontrar um local seguro para se desenvolver. Os biólogos tem estudado muito para saber onde vivem os filhotes até chega a um ano de idade. Nunca são localizados. Já acoplaram chip e, mesmo assim, ainda não tiveram sucesso. Seu destino é um mistério. E aqui, algumas fotos dessa manhã que já começou bem! (Tartaruguinha, Pelicano e Periquito) Voltamos. Em casa, novas surpresas no quintal: uma iguana, um lagarto (chamam de Garrobo negro e, segundo pesquisei, se trata da maior espécie do gênero) e minha ave favorita: a Calocitta formosa (MagPie Jay, em inglês).
costarica77

Pegadas de Jaguar

À tarde, fomos a uma pequena praia chamada Zapotillal, ao lado de Cabuyal. É uma praia linda mas, para chegar é uma verdadeira aventura selvagem! É uma hora de caminhada até chegar nela. Primeiro, entramos num lamaçal onde o pé ficava totalmente atolado. O desafio seguinte foi passar por um mangue com MUITOS caranguejos passando pelos nossos pés. Passada essa fase, entramos num terreno mais seco, pouca vegetação no meio e o solo com pegadas de uma espécie de crocodilo/lagarto que, segundo disseram, se morde seu braço, já era! Não consegui entender bem que animal era, mas deve ser algo parecido com o dragão de comodo. Logo em seguida, passamos por pegadas de onça pintada (ou jaguar) que mediam fácil mais de 10cm de comprimento. Depois disso, a paisagem mudou novamente. Uma trilha com vegetação mais fechada, poucas árvores. Chegamos a um rio muito bonito, onde crocodilos costumam nada. Mais a frente, uma praia onde esse rio desenboca, mas que não temos acesso, pois ela está toda cercada de pedras. Neste trecho encontramos o esqueleto de uma serpente. O caminho no trecho desta praia é bem difícil, pois só há uma passagem estreita com pedregulhos escorregadios e um barranco bem ao nosso lado. Ou seja: caiu, sai rolando lá pra baixo. (Nas fotos: pegadas do jaguar, esqueleto de serpente, rio que desenboca no mar das duas fotos seguintes)  Parecia mais um videogame com várias fases e, cada uma com um novo desafio. Passamos por um novo caminho com vegetação, subidas, descidas, teia de aranha gigante e, finalmente, a belíssima Playa Zapotillal. Fotos, fotos e fotos - notem na segunda e terceira foto marcas de tartaruga marinha que também desovam nesta praia)
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Meus dias em Cabuyal Parte 3

Meus dias em Cabuyal Parte 3
aqui vai a terceira parte da viagem à Costa Rica. (a primeira parte está aqui e a segunda aqui) DIA 1º de dezembro… epois de alguns dias seguidos de trabalho, aproveitei que era dia de fazer compras na cidade de Libéria e fui também. É o dia em que todo mundo que vai, aproveita pra conhecer a cidade e acessar a […]
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Meus dias em Cabuyal Parte 2

Meus dias em Cabuyal  Parte 2
aqui vai a segunda parte da viagem à Costa Rica. (a primeira parte está aqui) DIA 27 à noite...
M
inha primeira patrulha noturna. Acredito que neste dia andei cerca de 25km. São 3km até a praia + 2km de patrulha pela manhã + 3km do retorno até a casa + 3km até a praia a noite + uns 10km caminhando até 4 da manhã + 3 km do retorno pra casa. É bastante cansativo fisicamente, porém é uma experiência compensadora. A patrulha noturna começa às 20:00hs. Temos que usar calças e vestir calçados confortáveis e fechados, que não tenham cores chamativas. As lanternas são com luz vermelha e somente podemos acendê-las quando localizamos algo. As tartarugas não podem, de forma alguma, perceber nossa presença. Caminhamos em dupla de uma ponta a outra da praia. Às 8 da noite é uma total escuridão, já que a lua ainda está baixa. Ela só sobe umas 9 e meia da noite, mas melhora pouco a visibilidade na caminhada. Sinceramente, não sei como minha guia conseguia localizar pegadas na areia naquele breu. Eu, simplesmente a seguia. Às 22:00 encontramos o primeiro vestígio: pegadas de uma tartaruga negra que saiu do mar, deu de encontro às pedras, virou à esquerda e voltou pro mar. Essa espécie é bastante cuidadosa para desovar. Procura muito um lugar seguro, com areia sequinha. Ela leva bastante tempo para escolher um lugar, cavar, desovar e cobrir o ninho. Camuflamos suas pegadas e continuamos caminhando. Um fato curioso sobre as tartarugas é que elas SEMPRE voltam ao mesmo local. Elas têm um senso de direção impressionante. Se elas saíram do mar ao norte, elas retornam ao norte. Se saíram ao sul, retornam ao sul. Era mais de meia noite, passamos novamente no local onde duas horas antes haviam as pegadas e não deu outra: EXATAMENTE AO LADO das anteriores. Só que, desta vez, ela virou à direita e conseguiu prosseguir onde não haviam pedras. Assim que percebemos que ela estava caminhando na areia, paramos e ficamos em silêncio. Qualquer barulho ou luz pode fazê-la retornar ao mar e levar mais algumas horas ou dias para sair novamente. Ela caminhou durante muito tempo, fez um trajeto doido, cheio de curvas, até que encontrou um lugar que achava seguro, próximo à vegetação (aliás ela estava com a cara inteira no meio de um arbusto). Só devemos nos aproximar quando ela termina de cavar o ninho, pois ela entra num estado de transe. Quando ela atinge este estágio, pode-se fazer qualquer coisa que ela não se move. Esse animal não é mesmo incrível? Tentei fotografar ela caminhando, mas a bateria acabou na hora que cliquei. Foi uma frustração sem fim! :'(
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Momento em que localizamos as pegadas (na luz vermelha da lanterna)

Finalmente ela começou a cavar. Antes de nos aproximarmos, já combinamos o que cada um vai fazer para que tudo dê certo. Eu deveria me posicionar atrás, onde ela cava. Me deram um contador digital. A cada ovo, tinha que pressioná-lo e ele ia somando. Ajudamos a fofa a fazer o buraco. De vez em quando (quase sempre) ela joga areia na nossa cara. <3 Depois de hoooooooras cavando, ela começou a botar. Seus ovos são do tamanho e coloração dos ovos de galinha. Nesse momento, eu deitei atrás dela e, praticamente, tenho que enfiar a cara no mínimo de vão que sobra pra poder enxergar os ovos caindo. Tive que usar a lanterna de cabeça para poder ficar com as mãos livres para contar os ovos com o aparelho e, com a outra mão, segurava sua nadadeira para ela não atrapalhar minha visão.
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Meus dias em Cabuyal Parte 1

Meus dias em Cabuyal  Parte 1
F
azia tempo que procurava uma viagem diferente para fazer. Geralmente gosto de opções não convencionais, em que possa conhecer melhor a cultura local. Não curto fazer passeios de turista, pois são sempre previsíveis. Depois de muito procurar, encontrei a viagem perfeita para mim: férias fazendo trabalho voluntário no salvamento de tartarugas marinhas na Costa Rica. Foi fantástico! Uma das experiências mais emocionantes que já tive. Fiz um breve diário de viagem para lembrar de detalhes que, com o tempo, vou acabar esquecendo. Mas antes, é preciso explicar um pouco sobre a situação atual das tartarugas marinhas: Elas pertencem a mais antiga linhagem de répteis vivos. Existem há mais de 150 milhões de anos e conseguiram sobreviver a todas as mudanças do planeta. Possuem visão, olfato e audição desenvolvidos e uma impressionante capacidade de orientação. Elas podem viajar o mundo, centenas ou milhares de quilômetros mas sempre, SEMPRE voltam a praia onde nasceram para desovar. Se você acha que o mundo é um ovo, para elas é menor que isso! Elas levam cerca de 30 anos para começar a reproduzir e tem expectativa média de vida de 180 anos. Mãs...o aquecimento global, a poluição, as redes de pesca e a caça para consumo de sua carne e ovos, tem contribuído para o seu desaparecimento. Todas as espécies de Tartarugas Marinhas estão em grande risco de extinção. A maior e mais ameaçada, a Tartaruga-de-couro ou Baula, como é chamada na Costa Rica, chega a 2 metros e mais de 700 quilos, diminuiu 95% de sua população desde os anos 80. Ocupa hoje o quinto lugar do ranking de animais ameaçados de extinção. A preservação das tartarugas marinhas é de vital importância para o equilíbrio do ecossistema marinho. Elas são fonte de alimento para predadores marinhos e terrestres e importantes consumidoras de organismos marinhos, como algas, camarões, esponjas e águas-vivas. Como são animais migratórios, as tartarugas se deslocam desde os trópicos até as regiões subpolares, transferindo energia entre ambientes marinhos e terrestres (desova na areia, por exemplo). São verdadeiros engenheiras do ecossistema, devido a sua influência e ação sobre os recifes de coral, bancos de grama marinha e substratos arenosos do fundo oceânico. A Costa Rica está entre os lugares do mundo onde as tartarugas mais fazem desova. O país faz fronteira ao norte com a Nicarágua, ao leste com o mar do Caribe, ao sudeste com o Panamá e a oeste o Oceano Pacífico. É conhecida como o país com maior biodiversidade do mundo. Ocupa o quinto lugar mundial no índice de Desempenho Ambiental e o primeiro lugar na América. Mas, infelizmente, ainda há uma grande cultura de consumo da carne e ovos do animal. Saqueadores levam seus ovos e sua carne. Inclusive há cartéis que faturam com esse mercado. Por isso, há várias ONG's trabalhando para evitar seu desaparecimento. Na Costa Rica, por exemplo, o Leatherback Trust, que é a ONG onde trabalhei, junto com biólogos e estudantes têm feito um belo trabalho de pesquisa e salvamento dos animais.
Passei 10 dias nas acomodações do grupo. É como uma comunidade, onde todos ajudam em tudo. Além do trabalho com as tartarugas, as pessoas eram selecionadas para cozinhar e cuidar da limpeza do local. A eletricidade é limitada, pois é uma região afastada e um pouco selvagem. Internet, TV e celular não existem. Fiquei totalmente desconectada da minha rotina, o que, talvez, tenha ajudado mais ainda a observar e aproveitar cada momento.
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Época de seca de outubro a maio

DIA 26: Saí de São Paulo no dia 25 à noite. Sete horas depois, desço no Panamá, onde há uma conexão. Duas horas de espera. Novo embarque. Desembarque no Aeroporto de Libéria e uma van está me esperando para mais uma hora de viagem até a Playa Cabuyal. Praticamente 12 horas viajando. Como toda cidade litorânea, é bem plana, mas está toda cercada por cordilheiras que tem a forma dos famosos vulcões da Costa Rica. O tempo estava quente e bem seco. Chegando mais próximo à praia MUITAS borboletas. De todos os tamanhos e cores. Qualquer poça d'água voam dezenas delas quando passa o carro. Cheguei na casa. Quem me recebeu foi o biólogo responsável. Ele veio da Austrália e está locado em Cabuyal desde setembro e deve ficar até fevereiro. Trabalha com ele uma costarriquenha e uma mexicana. As outras pessoas da casa são voluntárias que toda semana chegam ou saem. Tem gente de diversos países, como Espanha, Alemanha, Suécia e Estados Unidos. Chris (biólogo australiano) me apresentou as regras da casa e alguns animais que eventualmente posso encontrar: jaguares, crocodilos (já apareceu num lago ao lado da casa), cobras, escorpiões, macacos, além de pássaros das mais diversas espécies. Como as patrulhas são das 20:00 às 4:00 e outra pela manhã, das 5:00 às 7:00, as pessoas passam a maior parte do dia descansando, pois o trabalho é bem cansativo.

Temps

Alguns dias também um grupo vai a praia durante a tarde fazer escavação/exumação ou, como no caso do meu primeiro dia, participei do TEMPS. Os TEMPS ficam espalhados em 4 pontos distintos da praia (dois no sol e dois na sombra). São 5 tubos plásticos que saem um par de fios (positivo e negativo). Cada par tem um comprimento diferente: 10cm, 25cm, 50cm, 75cm e 100cm. Esses fios ficam enterrados na areia. Ou seja, cada um alcança uma profundidade diferente da areia. Com um aparelho, ligam esses fios (positivo e negativo) e, assim podem saber a temperatura da areia nos horários de maior incidência solar. A temperatura dos ovos influencia o sexo das tartarugas. Acima de 30 graus, fêmeas, abaixo, machos. O TEMPS ajuda nessa pesquisa. A tendência é que, com o aquecimento global, nascerão mais fêmeas e isso também preocupa. Tudo é anotado e encaminhado para os pesquisadores. Depois do trabalho, nada como desfrutar da minha primeira visita às areias de Cabuyal. Uma praia pequena, bastante vegetação e árvores, tem uma areia muito parecida com as do litoral norte de São Paulo e com um mar com ondas mais baixas e mais calmas. Tem muitas arraias. Aproveitei para fazer algumas fotos. Voltamos antes das 17 horas da tarde, pois o sol baixa cedo e logo um grupo sai para a patrulha noturna. (foto da esquerda para a direita: Playa Cabuyal, Caranguejo Ermitão, Playa Cabuyal, Playa Cabuyal, Iguana, Caranguejo Aratu vermelho (sic!), Estrada de acesso a praia)
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Império Matarazzo

Império Matarazzo
N
ão dá para contar toda a história dos Matarazzo em apenas um post mas, num breve resumo, eu diria que sua história está totalmente ligada ao crescimento industrial do país. tn_311_600_imperio_matarazzo_4_291011Tudo começou em 1881, quando Francesco Antonio Maria Matarazzo embarcou para o Brasil, como tantos outros, na tentativa de melhores condições de vida. Ele trazia pouco dinheiro, alguns queijos, vinhos e alguns tonéis de banha de porco. Acontece que o barco que transportava seus produtos afundou e ele perdeu tudo. Foi obrigado a mudar seus planos. Decidiu partir para Sorocaba, onde tinha um amigo, e começou seu trabalho como mascate. Seu comércio foi crescendo, crescendo. Tornou-se empresário. Aliás, um dos mais ricos do país. Seu objetivo sempre foi trabalhar com um produto, desde sua origem até o consumidor final. Fez de tudo: moinho de trigo, tecelagem, metalúrgica, moinho de sal, refinaria de açúcar, fábrica de óleo e gordura, frigorífico, fabrica de velas, sabonete, sabão, centros fabris, fábrica de fósforos e pregos, de louças e azulejos, usina de cal, destilaria de álcool, fabrica de papel, destilaria de petróleo. Além das indústrias, Matarazzo ainda tinha banco, frota de navios, terminal no porto de Santos, além de vários imóveis e a mansão na avenida Paulista. Na Primeira Guerra Mundial, enviou mantimentos à Itália, o que lhe deu o título de Conde, dado pelo rei Vitorio Emmanuele III. Era admirador de Musolini e chegou a contribuir financeiramente com o facismo. A classe média urbana não o via com bons olhos. Segundo minha mãe, circulava uma piada sobre a sigla de uma de suas indústrias: IRFM, que significava Indústrias Reunidas Francesco Matarazzo, mas que o povo brincava que era Indo Roubando Ficou Milionário.
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Edifício em construção

Foi com essa admiração a Mussolini que contratou o denominado "arquiteto de Mussolini", Marcello Piacentini, para projetar o Edifício Matarazzo, também conhecido Palácio do Anhangabaú, ao pé do Viaduto do Chá, onde seria a sede administrativa dos negócios da família. De estilo neoclássico simplificado, largamente utilizado na Itália nos anos 30, o prédio utiliza de várias simbologias do império Romano, também adotada no regime facista. Cheia de relevos e detalhes, como o MMM no quinto andar (onde antes era a sala do Conde e hoje fica o gabinete do prefeito), representando os 3 patriarcas da família (Francesco, Ermelindo e Francisco). A fachada tem 5 colunas, cada uma com um relevo que simboliza os ramos de atividade da família: tecelagem, metalúrgica, agricultura, manufatura química e comércio. O Hall monumental da entrada é imponente por seu pé direito ENORME, sua verticalidade e suas colunas todas revestidas em mármore travertino romano. Aliás, é um total de 170.ooo placas de mármore em todo o prédio. Até onde sei, só há duas construções no mundo revestidas INTEIRAMENTE com ele: o Edifício Matarazzo e a Basílica de São Pedro. (alguém me corrija se estiver errada, plis!) Ah, não bastando isso, o piso é de granito, tsá? Logo na recepção, há duas colunas com um relevo que representa a "Epopéia do trabalho humano". Ao fundo, há um mosaico com o mapa do Brasil e todos os lugares onde a família Matarazzo tinha negócios (Brasil todo!). Esse mosaico veio de Veneza e, por conta da guerra, só chegou 6 anos depois da inauguração do Edifício. Pode parecer piada, mas no mapa, Brasília foi colocada depois e está pintada toscamente sobre o mosaico. Fora isso, as portas são em jacarandá e diversos outros detalhes de um riqueza sem proporções. Isso porque não podemos acessar o quinto andar, onde é ainda mais luxuoso. Vale lembrar que o andar que conhecemos, no mesmo nível do Viaduto do Chá é, na verdade, o terceiro andar, já que o prédio começa lá embaixo, no Vale do Anhangabaú. Aqui embaixo, o vídeo que é apresentado aos visitantes, mostra um pouco mais do edifício. Mas a grande beleza desse prédio está mesmo no décimo quarto andar. No topo do prédio há o Jardim Walter Galera. Tem esse nome em homenagem ao zelador do prédio que idealizou esse pequeno bosque com mais de 400 espécies do Brasil e de outros países, todas catalogadas. Há caqueiros, goiabeiras, mangueiras, coqueiros, pés de café, cana-de-açúcar, pau-brasil, ervas medicinais. Há também um lago com carpas. Galera morou lá desde a época dos Matarazzo até seu falecimento, em 95, quando já era de propriedade do Banco Banespa.  
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Razões para Acreditar, sim!

Razões para Acreditar, sim!
enho estado meio ausente por aqui. Primeiro, porque estou prestes a viajar e estou numa correria danada. Por outro lado, sinceramente, ando sem tesão algum para escrever. Os últimos meses têm sido uma sucessão de acontecimentos que não me têm me dado prazer algum de sair e desfrutar a cidade. Desculpe, sou assim! Sensível para quem […]
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Jack Daniel’s Saloon

Jack Daniel’s Saloon

E
está de volta, pelo segundo ano consecutivo o Jack Daniel's Saloon. Um bar temporário, que segue a mesma linha do Heineken Up On The Roof, só que este é dedicado ao rock. Nessa segunda edição, o espaço escolhido é o antigo Aeroanta. Uma casa de shows que marcou a história do rock entre 87 e 96 e recebeu nomes como Cazuza, Skank (dizem que foi onde eles nasceram, se apresentando para um público de 37 pessoas), Raimundos, Tim Maia, Marisa Monte, Caetano, Ira!, Joe Satriani e por aí vai...Dizem que era o lugar preferido de Nick Cave quando vinha a cidade. Aqui neste vídeo documento, no minuto 31:40, tem um trecho do show "O baú do Raul" de 92, gravado lá.
E foi exatamente em 92 a última vez que estive na casa. Vale lembrar que muita coisa mudou de lá pra cá. Vinte e três anos depois, pouco sobrou do antigo Aeroanta. Nem a rua Miguel Isasa existe mais. Hoje ele fica na movimentada e modernizada Av. Faria Lima. A região ainda mantém alguns botecos e camelôs da época em que o Largo da Batata era um local bem mais popular. O que, por um lado, é bom. Apesar de menos opções, a tradição de fazer um esquenta no boteco ao lado, para gastar menos na balada, ainda se mantém.
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A cozinha do Olimpo

A cozinha do Olimpo
Q
uando pensei em escrever sobre o restaurante Acrópolis, fiquei na dúvida em quê, exatamente, seria esse post: o restaurante? A comida? A tradição? O atendimento? Cheguei a conclusão que o sucesso de tantos anos é a mistura de todos esses ingredientes além, é claro, de muito trabalho. Mas não dá pra falar do Acrópoles sem antes descrever um pouco do "seu Trasso", o proprietário. De origem grega, Thrassyvoulos Georgios Petrakis, mais conhecido como "seu Trasso", chegou a São Paulo em 61, junto com a esposa e filha recém nascida, a pedido de sua cunhada, que queria o conhecer. Ele acabou ficando e trabalhando na quitanda que ela mantinha na Zona Norte da cidade. Ao mesmo tempo, ele também começou a trabalhar como garçom no Acrópoles, que na época se chamava "Cantinho Grego", de propriedade de um conterrâneo. acropoles6Em 1969, uma tragédia aconteceu em sua vida. Ele perdeu a esposa, a filha, a cunhada e o filho dela, numa explosão de gás do chuveiro, na casa de veraneio da família, em Santos. Depois do acidente, ele decidiu continuar no Brasil, mesmo sozinho, e trabalhar no restaurante. Em poucos anos, ele comprou o Acrópolis e o transformou no que é considerado hoje como um dos melhores restaurantes da cidade. Chegou a ter uma filial nos Jardins que uma filha cuidava mas, segundo ele, ela não soube administrar e tiveram que fechar. Acredito muito mais que a presença dele seja o diferencial. acropoles4Aos 99 anos, vai todos os dias trabalhar e esbanja simpatia e bom humor. Até pouco tempo, seu Trasso, supervisionava o restaurante, recebia os clientes na porta e ficava o tempo todo atarefado no atendimento das mesas. Hoje, uma outra filha o ajuda e ele consegue ficar mais tempo sentado, tomando um vinho, que dizem ser o segredo da longevidade dos gregos, e apreciando o grande movimento da hora do almoço. Mas não perde o foco. Conversando comigo, ele pergunta se gostei da comida. Disse que sim e ele comenta: "Todo mundo diz isso!" <3 acropoles5Toda essa dedicação e trabalho estão estampados nas paredes branquíssimas do restaurante: Prêmios, reportagens, fotos com celebridades, mais prêmios, fotos espetaculares da Grécia e mais prêmios pela excelência gastronômica. O Acrópoles tem uma aparência bem simples e informal, como de um boteco, o que torna ainda mais agradável o ambiente.

acropolesNão tem cardápio. Você vai até a cozinha e escolhe o que quer comer: carneiro assado, carneiro com molho avgolemono, charuto de repolho, mussaká, pato com champignon, vitela ao forno, salmão, camarão a parmegiana, polvo ao vinho, risoto de frutos do mar, lula recheada e por aí vai... Você escolhe o prato principal e mais dois acompanhamentos já determinados. Os preços vão de 36 a 62 reais a porção inteira (muito bem servida) ou 15 a 28 reais por meia porção. Tem também algumas opções de entradas, como o  bolinho de camarão, lula a dorê, polvo a vinagrete, coalhada seca, salada, que podem ser pedidas na mesa.

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Campos Elíseos – Parte 2

Campos Elíseos – Parte 2
S
egue aqui, a continuação do post sobre o bairro Campos Elíseos. A primeira parte se concentrou, basicamente, nos casarões da rua Guaianazes e Rio Branco. Agora seguimos para outras ruas formadas não só por residências. champ38Colégio Azevedo Soares Construído em 1881, abrigou a Escola Azevedo Soares, hoje extinta. O interessante dessa escola é que ela começou em 1880 na cidade de Petrópolis, no Rio de Janeiro, passando por Amparo até 1885, Liberdade, Brás e, finalmente, para os Campos Elíseos. O prédio é tombado e está fechado. Dizem que a parte interna será demolida e reformada para ser uma unidade do Hospital Pérola Byington.     Santuário do Sagrado Coração de Jesus Trata-se de uma das igrejas mais luxuosas da cidade. Foi construída no final do século XIX com a ajuda das famílias ricas moradoras do bairro e figuras como Dona Veridiana Prado e o Conde Prates. Com 62 metros de altura, até 1922, sua torre era um dos três pontos mais altos da cidade. Há nela também afrescos de um artista de florença que pediu a igreja para manter seu nome no anonimato. A Revolução de 24 não perdoou nem a igreja. Devido aos intensos tiroteios, o gradil de ferro da igreja guarda até hoje três marcas de tiro.     Casa da Ferrovia Construído em 1922 para atender aos funcionários da Ferrovia, com serviços de assistência médica. Localizado na Alameda Cleveland, quase ao lado da Estação Julio Preste, atualmente este prédio pertence a Prefeitura e funciona lá o SAE DST/AIDS Campos Elíseos. Trata-se de uma Unidade de Saúde gratuito para doenças sexualmente transmissíveis que, aliás, é um Centro de referência mundial no tratamento de AIDS.     Estação Julio Prestes Projetada em 1926 e concluída somente em 1938, foi inspirada nas estações norte-americanas Grand Central e Pennsylvania. Com 2500 metros quadrados de área total, é uma estação de luxo que, desde 1999, abriga a sala São Paulo. A estação faz parte da Linha 8 - Diamante da CPTM. Veja que belo video com raras imagens da Julio Prestes e arredores, antes da inauguração da Sala São Paulo, em 1998.

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Museu da Energia Projetada por Ramos de Azevedo em 1926, um dos mais belos palacete, onde morou Henrique Santos Dumont, o bróder mais velho do aviador, considerado na época, um dos homens mais ricos do Brasil. Aliás, eles também descendem de família cafeeria. Construída entre 1890 e 1894. Durante alguns anos, também sofreu deterioração e, em 2005, foi cedido a Secretaria do Estado da Cultura, sendo restaurado e abrigando o Museu da Energia. É um museu lúdico, com algumas experiências interativas que mostra toda a história da energia na cidade. Vale a visita, principalmente, pela beleza do casarão. A entrada é gratuita. Mais informações aqui.

   

Palacete Barão do Rio Branco Infelizmente, nem todos os palacetes e casarões tem um final feliz. Este, por exemplo, é o imóvel mais antigos do bairro e se encontra em total ruína devido a problemas de documentação e descaso dos órgãos públicos. Construído em 1880 para servir como residência a Antônio Ribeiro da Silva, o Barão do Rio Pardo. A casa foi vendida em 1906, quando o barão faleceu, para outro cafeicultor, o Conde de Serra Negra. Chegou a ser uma escola para meninos e um quartel general do 4º Batalhão de Caçadores e residência para um advogado. Depois de alguns anos abandonado, foi invadido e teve sofreu mais ainda com deterioração, tendo louças de banheiro, espelhos, madeiras nobres e gradis de ferro retirados e vendidos. Apesar de tombado, encontra-se abandonado e com cordões de isolamentos na calçada, com grande risco de desabamento.

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Campos Elíseos – Parte 1

Campos Elíseos – Parte 1
O bairro nasceu quando o alemão Victor Northman e o suíço Fernando Glete compraram e lotearam o bairro. Para valorizar a região, contrataram um arquiteto para urbanizá-la. É um dos primeiros bairros planejados e com sistema de água encanada nas casas, já abastecidas pelo Cantareira. Foi o primeiro bairro nobre da cidade. A maior parte […]
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